DL BOOKS

VENHA CONHECER NOVOS MUNDOS E UM UNIVERSO DE POSSIBILIDADES!

Sobre

Editora independente de livros de fantasia e ficção-científica especialmente selecionados para encantar e nos transportar para outros mundos.

Autoras

  • Olivia Wildenstein

  • Katie Hayoz

  • Lana Pecherczyk

  • Casey L. Bond

  • Jordan Rivet

Contato

Siga nossas redes sociais!

Acknowledgements

Being an independent publisher requires just as much work and support as an independent author, sometimes even more, so it's only fair that the people that helped bring this vision to life be acknowledged in some way, albeit very small.
Thank you to Olivia Wildenstein, for trusting me right from the start with your words, and sparking this idea in my head and believing I could pull it through. As well as co-writing the book that changed my life along with Katie Hayoz. Thank you, Katie, for all the times you held my virtual hand when I was doubting myself. Thank you to Lana Pecherczyk for embracing the project and showing me that it was something that could work, and that it wasn't such a crazy idea after all, for enduring all my doubts about the industry, and always being available, the perks of living on different sides of the world. Thank you to Casey Bond whose excitement about it all feeds my own and helps me overcome my anxiety. Thank you to Jordan Rivet, with whom I barely talked before approaching about this and yet trusted me and my passion for the work, and especially her books. Thank you to Vanessa Rasanen, for always staying true to herself in an environment that is populated by fakeness, it always feels like a breath of fresh air chatting with you, there's a place here waiting for you.
I hope to grow and bring many more authors, but each and everyone of them will get a spot on this list, for this is not just a business, it's a passion, a belief, and above all an exercise of trust.
Fazer tudo isso, precisa de mais gente do que jamais imaginei, a todas as amizades que fiz no Instagram que me apoiaram, que acreditam no projeto e no meu trabalho, não teria começado nada disso se não vocês não tivessem acreditado e embarcado nessa "loucura" comigo. Muito obrigada!

OLIVIA WILDENSTEINOlivia cresceu em Nova York e se formou em literatura pela Brown University. Depois de criar joias durante alguns anos, Wildenstein trocou as ferramentas pela vida de escritora, o que fez mais sentido dado seu diploma.KATIE HAYOZKatie cresceu em Racine, WI, onde desenvolveu um irreversível sotaque anasalado e um vício por livros com um toque mais obscuro. Apesar de ter uma queda pelo paranormal, ela devora uma variedade de livros, junto com pipoca e balas de alcaçuz. Consome os três em grandes quantidades. Por sorte, os livros não se acumulam nos seus quadris.

Leia o primeiro capítulo de SANGUE CRUEL clicando no botão abaixo.

Capítulo 1: SlateSaio do elevador privativo para encontrar a porta do meu loft recém reformado arreganhada.
Procuro alguma coisa no meu smoking que possa usar como arma, mas tudo o que encontro é um cordão de pérolas Taitianas, seis mil euros em notas e um Rolex Cosmograph Daytona. A Ópera de Marselha é um local lucrativo para bater carteiras. Xingando baixo, tiro um guarda-chuva do suporte perto da porta e avanço para o apartamento.
— Ora se não é o próprio Senhor Mary Poppins, meu delinquente favorito. — Bastian está sentado no sofá de couro devorando meu estoque de madeleines.
Jogo o guarda-chuva no balcão da cozinha e empurro seu tênis da mesa de centro cara.
— As portas tem essa coisa mágica chamada fechadura, maninho. Use-a.
Ele bufa.
— Ouvi seu carro, sabia que você estava subindo. O motor daquele negócio é alto. Estou surpreso que os vizinhos ainda não reclamaram.
Alto e lindo.
— Adoraria ver eles tentarem.
Bastian e eu nos conhecemos no meu terceiro lar temporário, sete anos atrás. Ele tinha quase onze anos e era um magricela que vivia com o nariz enfiado em um livro, com a pele um tom mais escuro que a minha e a alma dez vezes mais brilhante. Eu tinha treze anos e duas cabeças a mais de altura. Ficava na minha, e ele também. Mas aí nossos pais temporários acolheram dois cabeçudos abandonados com um punhadinho de massa cinzenta juntos. A diversão deles era bater a cabeça de Bastian dentro dos livros, gargalhando quando manchavam as páginas de sangue. No dia que os peguei no flagra, quebrei seus narizes. Durante o próximo ano, todas as vezes que faziam a vida de Bastian difícil, eu quebrava outras partes do corpo. Dedos dos pés. Dedos. Um braço. Por fim fui expulso da família. Levei Bastian comigo para o próximo lar infernal, já que fiquei com o coração mole para com o garoto.
A única coisa que talvez ame mais do que furto é aquele garoto. E madeleines.
— Vejo que você conseguiu algum dinheiro desde a última vez que visitei. — Bastian faz um gesto para a lareira customizada que passa pela parte de baixo da parede da sala, depois para o balcão de granito da cozinha, os bancos le Corbusier, e a mesa de centro Noguchi de vidro e bordo na qual estava com seus tênis imundos em cima há apenas um momento.
Algum é eufemismo.
Dou um sorriso ao admirar toda a beleza material que agora é minha.
— Vendi um Renoir perdido.
— Perdido ou roubado?
— Estava perdido no meio de uma bagunça de outras obras-primas. Uma pena. — Tiro o saco de madeleines de supermercado da sua mão.
Pode comer qualquer coisa no lugar, mas não elas. Essas são minhas.
Ao morder uma, olho um envelope grosso creme no sofá ao seu lado.
— O que é isso? — pergunto com a boca cheia. — Natal não é até amanhã.
— É, não é meu. Meu presente para você é minha visita. — Ele segura a carta para mim, é grande e quadrada e feita de papel de qualidade. — Estava sob a porta. Encontrei quando entrei.
— Huh.
Suas sobrancelhas grossas se juntam sobre as hastes de plástico preto dos seus óculos.
— Diz Monsieur Rémy Roland. Novo disfarce ilegal?
Pego o envelope da sua mão e engulo um bolo seco de madeleine. Monsieur Rémy Roland conhecido como Slate Ardoin está escrito em tinta azul escura com uma caligrafia elaborada.
— Que porra é essa?
Bastian murmura o tema de Missão Impossível.
— Rémy Roland conhecido como Slate Ardoin, sua missão, se escolher aceitar...
Meu olhar fuzilante o faz parar.
— Espera — a voz do Bastian quebra. — Roland é seu nome de nascença?
Ardoin é o sobrenome que me deram no sistema. Meu primeiro nome também é um presente do sistema, apesar que, quando se trata de nomes, Slate não é o mais fácil para uma língua francófona. Quem estava distribuindo apelidos aquele dia deve ter fumado mais baseado do que deveria.
Bastian sabe o passado da sua família de nascença – imigrantes algerianos que tiveram dificuldades na vida e pensaram que ele estaria melhor com outra pessoa. Eu, eu sou um maldito fantasma. De acordo com o serviço social, surgi do nada.
Leio a caligrafia chique outra vez, então viro o envelope, passo o polegar pelo selo de cera azul marinho com um ornamental M maiúsculo enlaçado por um pequeno d curvo. Pedante. Quebro o lacre e puxo um monte de papéis. Uma chave escorrega e cai no tampo da mesa com um barulho alarmante. Por sorte, o vidro não lasca.
Leio a carta de apresentação enquanto Bastian pega a chave, uma carta escrita com a mesma caligrafia que marcou o endereço.
Monsieur Roland,
Meu nome é Professor Rainier de Morel. Sou o reitor da Universidade de Brume. Fundada em 1350 por quatro famílias locais, a universidade é rica em história e cultura.
Blá, blá, blá. Passo o olho pelas palavras até me prender em uma frase que faz meu sangue virar gelo.Como um descendente das famílias fundadoras, você tem direito a uma bolsa completa, acomodação e alimentação inclusos. No envelope de materiais enviado, vai encontrar sua certidão de nascimento original. Antes de se tornar Slate Ardoin, você nasceu um Roland.Nada em mim é macio, não meu corpo, não minha personalidade, ainda assim meus joelhos viram gelatina quando caio no sofá ao lado do Bastian.
— O quê? — Bastian pega a carta das minhas mãos, olhos se arregalando por trás das lentes retangulares.
Passo pelas páginas que estou segurando, e... putain de merde.
Ali está.
Minha certidão de nascimento.
Rémy Roland. Meu aniversário: 18 de novembro, e não 9 de outubro como a assistente social me disse. O nome dos meus pais: Eugenia e Oscar Roland.
É apenas um documento, um que não deveria fazer meu coração bater tão forte, mas pulsa contra a pele. Passo a certidão para Bastian.
Ele assobia e balança a cabeça.
— Você acha que é real? Se for, então vai precisar mudar sua identidade.
— Não vou mudar nada — rosno. — Meu nome é Ardoin. — Por que me associaria com pessoas que me jogaram fora como lixo do dia anterior?
— Mas você vai aceitar a bolsa de estudos, certo? Quero dizer, ouvi falar sobre essa faculdade. É prestigiosa. Tipo, no mesmo nível da Sorbonne.
— Não tenho nem o maldito ensino médio completo, Bastian.
Apesar de eu ter largado a escola depois do nono ano, Bastian gabaritou o exame final e entrou na faculdade um ano antes. O garoto poderia ser qualquer coisa. Um cientista espacial. Advogado. Neurocirurgião. Ao invés disso, está estudando para ser assistente social para ajudar as crianças como nós no sistema. Ao passo que meu coração murchou e endureceu, o dele permaneceu puro e brilhante.
— Esse cara de Morel não parece se importar com diplomas. Você entra apenas com o nome de família.
— Meu nome de família é Ardoin.
— Slate, vamos lá... Ou deveria te chamar de Rémy?
Rosno, e Bastian ergue as mãos. Pego a carta de volta e continuo a ler:
Estava esperando pelo momento certo de lhe chamar de volta para seu local de nascimento e compartilhar um pouco da sua história familiar, já que seus pais não estão mais aqui para contar. Esse momento é agora. É vital que você venha para Brume, e logo. Por favor, não tente telefonar. Vou responder suas perguntas apenas pessoalmente.
Um dormitório de estudante foi disponibilizado, e você pode me encontrar no campus. As aulas começam dia 2 de janeiro. No testamento, seus pais deixaram dinheiro em uma conta no banco da universidade. Você vai poder utilizá-la para qualquer despesa extracurricular que possa ter.
Não posso falar como estou satisfeito em lhe receber...
Eu não fui despejado para fora do ninho.
Meu ninho foi pulverizado.
Meus pais estão mortos.
E esse babaca de Morel sabia o tempo todo.
Eu me levanto e rasgo a carta.
— O que diabos? — Bastian junta os pedaços como se fossem de uma nota de quinhentos euros.
Cada pedacinho de mim ferve de raiva.
— O que você quer dizer com o que diabos? Esse professor sabia que eu existia! Ele sabia que eu tinha uma história. Dinheiro. Ele sabia meu nome. E só me procurou agora? Onde ele estava com o dinheiro quando lutei com pombos para comer pão duro do lixo da padaria? Onde estava quando amassaram minha cara e passei dois anos sem os dentes da frente! Onde estava quando nós dois estávamos dormindo naquela fábrica abandonada com os malditos ratos só para ter um teto sobre nossas cabeças?
Bastian olha para os pedaços de papel nas mãos.
— Sim, dinheiro teria sido bom.
Mas não é nem o dinheiro que está me fazendo ver vermelho. Não exatamente. É essa sensação estúpida de alívio desenrolando o nó familiar na minha barriga. Eu sempre acreditei que ninguém me queria. Que talvez eu não posso ser amado. Mas meus pais não me abandonaram, eles morreram.
Mas meu alívio se transforma em amargura. Descobrir que esse homem sabia disso e nunca contou a ninguém – nem mesmo para o serviço social – me deixa com mais raiva do que ele ficar com meu dinheiro.
— Quem esse enfoiré pensa que é achando que pode entrar na minha vida depois de todo esse tempo e esperar que fique grato? E como ele sequer sabe onde moro?
Não vou de jeito nenhum para uma escola presunçosa em uma cidadezinha atrasada e fria lá na Bretanha. Fiz parte da infame escória da sociedade por tempo demais para sentar em uma sala de aula e ouvir vômito filosófico.
Bastian se levanta e vai para o balcão da cozinha. Coloca a chave em cima e abre uma gaveta, procurando até encontrar um rolo de durex.
— Sei que você não acha que merece um tipo de vida diferente...
— Acontece que amo minha vida. Olha para este lugar. — Faço um gesto para o loft espaçoso e sua vista livre do mar. — Além do mais, sou bom para caralho no que faço.
Bastian começa a juntar os pedaços da carta.
— Sim, você é bom nisso. E esse lugar é incrível. Mas bem no fundo, não acredito que é isso o que você realmente quer. E mais, você vive um dia de cada vez, sem saber quanto tem nos bolsos. E preciso te lembrar que seu ramo de trabalho é perigoso? Um deslize e está acabado.
Solto ar pelo canto da boca.
— Aqui está sua chance para fazer outra coisa. Algo além de apenas sobreviver. Quem sabe você pode até ser feliz.
— Feliz? — zombo. — Eu não lido com felicidade. Além disso, não faço parte da turma da faculdade. Não é meu estilo.
— Exceto...
Olho para a marina pelas janelas. De noite, o mar Mediterrâneo parece como uma língua preta lambendo a praia. Espero ele continuar. Quando não o faz, viro.
— Exceto o quê?
— Exceto que talvez seja seu estilo. Você nunca teve nem o mínimo de ideia das suas origens. E se você for descendente de uma longa linhagem de crânios alegres? Quero dizer, seus ancestrais fundaram uma faculdade. Você poderia ser realeza em Brume. Quem sabe? Mesmo que você não frequente as aulas, vá para coçar esse comichão que sempre teve.
Ele está falando sobre o comichão de ser alguém.
Bastian suspira e inclina a cabeça, zombando de mim.
— Ou, você poderia ir se vingar. Sangre o dinheiro desse cara. Durma com sua esposa. Seduza sua filha mais nova. Saqueie sua casa. Isso te faria feliz?
Ignoro o tom sarcástico do Bastian e dou um sorriso.
— Feliz é muito. Mas vingança seria... agradável.
Ele revira os olhos e volta para seu quebra-cabeças de papel.
Eu poderia fazer uma viagem curta, aprender sobre minha família com esse tal de Rainier, esvaziar meu fundo fiduciário.
Bastian me entrega a carta remendada e a chave.
— Vou com você.
— De jeito nenhum, maninho. — Se for comigo, vai me irritar para me matricular em algumas matérias. Vai querer fazer turismo. Transformar meu bate-e-volta em férias.
— Mas...
— Olha, ainda vou ficar aqui por mais uma semana. Pode me irritar o quanto quiser nesse tempo. No dia 31, vou para Bretanha – sem você – porque alguém precisa ficar para cuidar do Spike. — Spike é meu cacto, um agulha de Eva raro que tem quase um metro de altura e nesse momento está no meio da minha sala de estar cavernosa.
— Tudo bem. Contanto que você vá. Porque esta viagem, Slate. Tenho a sensação que vai mudar toda sua vida.
Um tremor desce pela minha coluna.
— Vamos rezar para que não.

LANA PECHERCZYK

Ai meu Deus! Como se pronuncia o meu nome?
Lana (bem simples - La-na) Pecherczyk (aqui complica - Pe-rer-chique).
Já fui chamada de Lana Price-Check (Preço-Certo), Lana Pera-Chickywack, Lana Pressed-Chicken (Frango-Prensado), Lana Pech…aquela garota! Pode pensar, já disseram. Então se é tão difícil de dizer, por que usaria este nome no lugar de um pseudônimo fácil?
Para simplificar, era o nome da minha mãe. E ela era minha maior torcedora.
Pela maior parte da minha vida, fui boa em uma coisa – arte. O mundo ao meu redor viu meu trabalho, e me disse que deveria fazer mais coisa dele, então eu fiz.
Mas quando, aos oito anos, disse que queria escrever histórias, e apesar de sermos pobres, minha mãe voltou para casa com um caderno em branco e um lápis dizendo que deveria seguir meus sonhos, não importava onde me levassem, porque me fariam feliz. Eu não era muito boa, mas não importava porque tinha apoio e gostava.
Ela morreu quando eu tinha treze anos, e deixou as quatro filhas órfãs. De repente, perdi minha maior torcedora, fui separada das minhas duas irmãs mais novas e não tinha ninguém para conversar sobre o desafio da vida.
Então, eu escrevi em segredo. Desabafei com todo meu coração em um diário e as vezes imaginava que ela podia me ouvir. No final, mesmo que não pudesse, escrever mantinha aquele sonho vivo.
Enfim, depois de ter dois filhos (dois pestinhas no corpo de garotinhos) e ignorar minha voz interna por tanto tempo, decidi guiar por exemplo. Como poderia ensinar meus filhos a correr atrás dos sonhos se não estava fazendo isso? Eu me tornei minha maior torcedora e o resto é história, aqui estou.
Quando não estou escrevendo o próximo romance cheio de ação, ou controlando os pimpolhos, ou resgatando GI Joe da boca do meu cachorro, luto contra o mal sob a luz do luar, ganho o amor sob a luz do sol e nunca fujo de uma briga de verdade.
Moro na Austrália, mas estou disposta a bater papo online a qualquer hora. Venha me encontrar.

Leia o primeiro capítulo de PECADORA e INVEJA clicando nos botões abaixo.
Quer conhecer a série que ela criou depois de assistir The Witcher? Clique em "ANSEIO" e leia o primeiro capítulo de O ANSEIO DE LOBOS SOLITÁRIOS

Quando salvamos nossas crianças, nos salvamos.
– Margaret Mead
Capítulo 1Flint Fydler manteve a cabeça abaixada, boné baixo e mochila próxima ao corpo ao entrar no átrio das Indústrias Biolum, atrasado pela segunda vez naquela semana. Passou o crachá na catraca e seguiu em frente. Não era como se estivesse escondendo alguma coisa. Apenas sabia o que viria em seguida. Toda maldita vez.
Um segurança com uniforme preto o analisou da cabeça aos pés. O cara deve levantar o dobro do seu peso, e o pescoço era tão grosso quanto a coxa do Flint. Um revólver estava preso sob o braço direito. Um Taser pendurado no cinto. Com um lampejo desconfiado no fundo dos olhos do segurança, e um dedo inquieto no gatilho, Flint sabia que se espirrasse do jeito errado, o homem o derrubaria. Ex-militar. Tinha que ser. Assim como seus companheiros lá em cima, na frente da sala do Projeto.
O segurança parou Flint com uma mão firme no peito. Flint olhou feio para a intrusão e mordeu o lábio para segurar o comentário afiado na ponta da língua. Não tinha certeza do que o grandão tinha contra ele. Podia ser o boné dos Dodgers, seu nível 5 de acesso, ou talvez o fato que Flint era barbudo ao passo que o brutamontes não conseguia nem crescer um bigodinho.
Como toda manhã ou outra, Flint engoliu as palavras. Ele sabia quando escolher suas batalhas, e essa não era uma delas.
— Você — o segurança grunhiu. — Inspeção surpresa de mochila.
— Cara, sério? — Flint tirou a bolsa do ombro e colocou na esteira. — Você me vê todos os dias.
O homem resmungou, abriu a mochila de Flint e deu uma olhada dentro.
Tudo o que precisava depois da manhã que tivera. Primeiro, o pneu murcho no caminho do trabalho, depois o estepe careca, e por último, o estado da sua conta bancária anêmica fazendo a compra de um novo pneu ser impossível. Ele acabou correndo até o trabalho, apesar de já ter feito sua corrida de 16 quilômetros. Os quadríceps o estavam matando.
— Cuzão — Flint resmungou.
— O que você disse? — o segurança perguntou.
— Eu disse pudim. Cuidado com o pudim. — Flint apontou para o pequeno pote de sobremesa na bolsa.
— Certo. — O segurança ergueu uma sobrancelha duvidosa e depois enfiou a mochila em uma esteira que passava sob o raio-x que um funcionário observava de uma cadeira do outro lado.
Flint fez uma careta quando a mochila chacoalhou.
— Cuidado. Tem tecnologia impagável aí dentro.
— Não ligo. Vá para o lado e espere o resultado do escaner.
Flint balançou a cabeça em desafio.
— Eu criei esse escaner. Se quisesse, poderia enganá-lo. Você sabe disso, certo?
O cara semicerrou os olhos.
— Vistoria surpresa de bomba. Braços para cima.
— Eu não tenho tempo para isso. Puta que o pariu.
Ele ouviu um suspiro feminino atrás de si e virou-se para encarar tudo de errado no mundo. Cabelo preto liso, sedoso em um rabo de cavalo. Lábios carnudos, um narizinho rosado, e caralho, grandes olhos castanhos dignos de uma Miss América Latina. Uma esplêndida contradição porque qualquer mulher cujos quadris preenchiam calças daquela maneira, não deveria ser uma freira. A camisa branca engomada deveria ser modesta, mas os seios forçavam o colete de lã, o esticando. Uma freira moderna e pecado ambulante, Irmã Mary Margaret fazia o coração dele acelerar e as palavras sumirem, porque toda vez que ele a via, ah céus… proibida.
O pescoço de Flint coçava enquanto Irmã Mary o encarava de volta, piscando os grandes olhos de bambi. Pego no flagra. Ela o pegou. Calor inflamou suas bochechas, e isso só o fez sentir-se mais como um merdinha. Mas a Irmã e ele tinham história. Dois anos de brincadeiras carregadas de duplo sentido, tensão sexual não realizada, e briguinhas de amor e ódio. Ela podia aguentar o que ele mandasse.
— Que porra você está olhando? — disse com um sorriso repuxando os lábios.
A atrevidinha piscou para Flint, fingindo inocência para a audiência. Como se não tivesse arfado para cair no estereótipo. Ela piscou rápido.
— Quem, eu?
— Você me ouviu.
— Ei — o segurança ralhou com Flint. — Respeito.
Flint quase retrucou, mas estava capturado pela sobrancelha da Irmã se erguendo – preparando-se.
Vamos, Flint pensou. Me mostre um pouco daquela espiritualidade Latina. Era tudo o que ele precisava para melhorar a manhã.
Ela cruzou os braços sob os seios, os empurrando para cima. O quadril se ergueu para um lado, e então lhe deu uma olhada desdenhosa da cabeça aos pés. Flint podia sentir o cheiro de coco em seu cabelo. Estava prestes a receber um sermão moralista, ele sabia. Amava. Queria. Ele fechou os olhos apertados e rezou.
Escutou um farfalhar conforme ela se aproximava. Sussurrou no ouvido dele, hálito quente fazendo cócegas em sua pele.
— Não tenho certeza do que estou olhando. Ainda não deram um nome para isso.
O olhar de Flint se abriu rápido. Suas bochechas estavam a centímetros de distância. Ela sorriu, lábios carnudos se alargando para iluminar o rosto. Uma risada rouca e uma piscadela provocante escaparam dela.
Ereção instantânea.
Caralho, ele iria para o inferno, e queria mais. Mas provocá-la era dançar com o perigo. Ele tinha seus demônios, e ela tinha seus votos.
— Peço desculpas pelo desrespeito, madame — o segurança disse, interrompendo o momento. — Pode passar.
— Obrigada — Irmã Mary respondeu, e se afastou de Flint, com o sorrisinho ainda no lugar. — Que a paz esteja com você. Vocês dois.
Os dois homens a viram se distanciar, os quadris rebolando.
Alguma coisa farfalhou aos pés de Flint e olhou para baixo. Um envelope branco havia pousado na bota. Deve ter caído do bolso dela. Ele se abaixou para pegar, recolheu a bolsa da esteira e correu para alcançá-la enquanto entrava no elevador a caminho do seu andar.

INVEJA
"A inveja come apenas o próprio coração."
– Provérbio.
Capítulo 1Acordou em um lugar estranho.
Ar fedorento e denso da escuridão entrou nos seus pulmões. A cabeça latejava e o corpo estava sensível a ponto de doer. Macio e irregular sob ele. Duro e frio dos lados. Quando se remexeu, o movimento levantou o odor rançoso. Ele sabia exatamente onde estava.
Lixeira.
E se tinha se escondido em uma lixeira, muito provavelmente estava usando o uniforme de combate – uma batida rápida nas calças de couro e puxada no capuz confirmou isso. As mãos ficaram grudentas, e quando tocou o polegar e o indicador, a pegajosidade permaneceu. Levou ao nariz e cheirou. Doce, metálico, denso: Sangue.
Mas de quem?
E, como ele chegou aqui?
Antes que pânico criasse raízes em seu peito, pensou: Evan Lázaro. Seu nome é Evan Lázaro. Você luta contra o pecado mortal da inveja. Você salva as pessoas.
Às vezes.
Talvez.
Ele deve ter feito algo terrível… algo do qual precisou se esconder. E ao invés de chamar por ajuda, se escondera, porque, por que os Sete Mortais o ajudariam? Eram apenas sua família.
Evan se moveu para erguer a tampa da lixeira, mas uma dor atravessou seu torso. A sensação trouxe memórias da noite anterior lampejando em um redemoinho vertiginoso. Vários pares de mãos o forçaram para baixo. Punhos colidiram com seus olhos e maçãs do rosto. Dor cegante. Visão inchada. Botas martelaram no seu abdômen. O ar escapou dos pulmões. Um pé de cabra nas costelas, mandíbula, joelhos. Ele se movia com força, mas o seguravam impiedosamente, afastando os membros até dor explodir nas articulações, deixando o torso vulnerável a mais violência… depois ele cedera e sorrira e gargalhara. Porque ele mereceu.
Evan esfregou o rosto com a mão para apagar a memória, mas as palavras do atacante voltaram com tudo: Se está procurando por validação, garoto, está no lugar errado. Deveria ter perdido a luta como mandamos. Depois as luzes se apagaram.
Evan ficou deitado na lixeira escura, olhos fechados, extremamente ciente de todos os doloridos e pontadas de dor no corpo. Eles o deram como morto.
Mas não estava morto.
Bom, não podia ficar ali para sempre.
Arriscando-se, empurrou a tampa para abrir e a deixou bater na parede. Ar doce e frio queimou seus pulmões e ele quase engasgou no frescor. O sol da manhã aparecia sobre a alta paisagem urbana poluída, deixando as paredes do beco em contraste. Qualquer outro dia, poderia ter ficado fascinado o bastante para pintar esta paisagem, mas hoje o humor dele estava sombrio e pesado como o céu.
Logo choveria e, maldição, o couro da luta irritava quando molhava. Pelo menos ele deixou as armas em casa antes de se permitir ser um saco de boxe na luta clandestina da noite anterior.
Ele procurou uma sacola de plástico na lixeira, depois se arrastou para fora e tirou a jaqueta e o lenço que cobria a boca, ficando apenas com uma camiseta que um dia foi branca e calças de couro manchadas de sangue.
De repente, o ar se moveu à sua direita, acendendo um fogo nos seus sentidos. O braço esticou a tempo de um projétil atingir a mão, os dedos se fechando sobre o objeto. Uma bola de beisebol. De… ele expandiu seus sentidos, procurando por inveja. Ali. À direita. A sensação do pecado mortal gotejou em sua direção, remexendo no seu âmago como dedos sujos e leves, desencadeando um apetite intenso para procurar e destruir. Esse sexto sentido sobrenatural era algo que todos os irmãos tinham, só que cada um pressentia um pecado diferente. Se não caçassem os piores pecadores e eliminassem ou contivessem, então a sensibilidade os deixariam loucos.
Talvez já tivesse deixado.
Tinham muitos pecadores em Cardinal City.
Muita inveja.
Ele forçou o desejo de lutar para o lado. Essa sensação de inveja em particular era pequena. Minúscula. Não valia a pena perder tempo.
Crianças. Duas delas.
Merda.
Elas podem tê-lo visto tirar a roupa de batalha.
— Ei, boa pegada, senhor. Queria ser bom assim. — Um pequeno jogador sujo se aproximou correndo. Sujeira nas bochechas. Terra na barra do jeans. Furos nos tênis.
— Ei, garoto. — Evan enfiou a jaqueta e o lenço na sacola plástica, escondendo a evidência do segredo. — Vá para casa. Está cedo.
Muito cedo. Ou tarde. Não podia decidir. A garganta seca implorava por um gole de água. E uma aspirina. E também um banho e depois sono e o doce oblívio que ele trazia. Josie precisaria abrir o estúdio de tatuagem sozinha, a cama o estava chamando.
Luz lampejou da saída do beco a alguns metros conforme os transeuntes matutinos começavam a tomar a cidade. Evan se virou na direção oposta, na intenção de encontrar um lugar escuro para que pudesse subir até os telhados e seguir as sombras efêmeras para a casa.
Saída de incêndio à frente. Perfeito.
Ao andar, ele jogou a bola por cima do ombro sem olhar. Um grito de diversão provou que atingiu o alvo quando o garoto a pegou com a luva.
A inveja das crianças triplicou, ecoando no âmago de Evan, e eles correram atrás dele, pedindo um autógrafo.
Merda dupla.
— Por que vocês iriam querer um autógrafo? — perguntou, sondando.
— Porque você é um deles!
Evan apertou a sacola plástica. Parou. Virou-se.
O segundo garoto era pálido com grandes olhos azuis. Cabelo preto espetado no meio da cabeça em um moicano natural ou um belíssimo topete. Sardas se escondiam sob suas bochechas sujas. O primeiro garoto estava nadando em um grande uniforme dos Yankees. Mais alto e com feições similares do segundo. Deviam ser irmãos. O garoto Yankee segurou a bola na mão.
— Um de quem? — Evan perguntou.
— Sabe, Os Sete Mortais. — O garoto menor pulou ao redor dele como um gafanhoto animado, o cabelo espetado balançando.
— Você está errado, garoto.
O mais alto deu um olhar feio.
— Não somos estúpidos. Ou cegos…
— Sim, cegos — opinou o mais novo.
— Nós o vimos tirar a jaqueta. A jaqueta. — Ele balançou as sobrancelhas e olhou para a sacola plástica nas mãos de Evan.
Evan gemeu e depois respirou fundo enquanto decidia como lidar com eles. Foda-se. Eram apenas crianças. Quem acreditaria neles?
— Provavelmente não é uma boa ideia. Não sou muito popular no momento.
— Não tem problema, Sr. Mortal, senhor, gosto de você.
Aquelas palavrinhas apunhalaram Evan no coração.
— Bom, isso faz um de nós. — Ele continuou a andar na direção da escada de incêndio.
— Vamos, por favor? — As crianças correram de costas na frente dele, segurando a bola. — Vai levar só um minuto. Uau. Isso é sangue? Você pegou uns bandidos?
Só ele mesmo.
Evan parou sob a escada de incêndio e suspirou. Não deveria estar conversando com eles, mas era legal ter alguém, mesmo um par de franzinos – ter fé.
— Pode assinar minha bola de beisebol? Por favor.
O garoto dos Yankees sorriu e jogou a bola para o alto, com intenção de pegá-la na luva para se exibir, mas o projétil redondo atingiu a escada de incêndio no lugar. Um barulho alto soou e a escada retrátil enferrujada caiu.
— Cuidado! — Evan gritou.
Ele empurrou o garoto para fora do caminho só para a escada quebrada impalá-lo no ombro. Caiu com tudo de joelhos e tentou respirar através da agonia lancinante, exceto que a escada forçava para baixo e já estava exausto e dolorido da noite anterior.
Ele arfou.
Dor dilacerou seu ombro e pontos pretos dançaram na frente dos olhos. Ele quase perdeu a visão.
Podia fazer isso. Ainda mais na frente das crianças. Foda-se a noite anterior. Que se danem os ferimentos dos quais ainda se recuperava. Vamos, Evan. Faça isso.
Apertando os olhos bem fechados, ele reuniu o foco, e respirou pelo torpor até estar preparado. Segurando firme, ergueu a lança da pele. Um barulho de rasgo molhado o fez retesar, mas ele saiu do caminho. Dor explodiu na sua nuca quando atingiu a parede de tijolos, destroçando concreto e pedra. Uma nova onda de náusea passou por ele.
Perfeito. Não podia nem mesmo se salvar.
O som da voz de um garotinho irrompeu por sua agonia.
— Mason, ele não parece muito bem.
— Sim. Sr. Mortal, senhor, você está bem?
Isso era discutível. Ele tentou rir, mas um som engasgado saiu.
Você não veria os irmãos dele nesta situação.
Evan abriu os olhos para focar pela névoa. Mordeu o lábio e segurou o pulso na frente do rosto para ver a tatuagem de Yin-Yang. A tinta bio-indicadora coçava para caralho e estava quase preta. Foda-se o equilíbrio. Era tudo uma mentira.
— Sr. Mortal, senhor?
— Pare de me chamar de senhor. — Evan rangeu os dentes. — Vá embora. Vou cuidar de mim mesmo.
— Mas, vocês salvaram minha amiga uma vez — o garoto mais velho disse. — Depois do bombardeio. Ela… ela estava presa sob uma parede e vocês… vocês a tiraram de lá. Ela pode te ajudar. É uma médica. Ajuda todo mundo. Venha, Sr. Mortal, senhor. Você precisa se levantar. As mãozinhas do garoto seguraram os grandes braços de Evan e puxaram, mas sem efeito. — Mason, chame uma ambulância.
— Não — Evan tentou dizer, mas saiu como um grunhido. Ele não precisava do hospital, só alguns minutos e seu corpo especial cuidaria do resto. Se pudesse dizer isso a eles, mas o garoto já soava mais distante. Evan estava tendo uma síncope, a cabeça tonta, as paredes sumindo. Pequenos passos soaram. Uma sirene soou. O beco embaçou, se tornando tão sombrio quanto seu temperamento, e tudo desapareceu.

O ANSEIO DE LOBOS SOLITÁRIOSCapítulo 1Clarke O'Leary acordou com um bocejo. Depois, o ardor de enxofre queimou seu nariz e ela espirrou, se sobressaltando com um borrifo de água.
Água?
Ela abriu os olhos e piscou até que tudo entrou em foco. Ela estava deitada em água morna e rasa. Ar gélido açoitava seu nariz. Pinheiros altos cobertos de neve a cercavam de um lado, e do outro, céu azul e claro. Céu azul. O choque disso colidiu com ela.
Onde diabos eu estou?
Porque não era Vegas. Pelo menos não a que ela conhecia com o céu queimado e inverno nuclear. Aquela Vegas fora quarentenada, meia subterrânea e isolada na esperança fútil de evitar a radiação que deslizava pelo continente.
Clarke se levantou com tudo e segurou a cabeça com o ataque vertiginoso. Seu estômago embrulhou e ela se inclinou para o lado para vomitar algo grosso, escuro e gosmento. Nojento. Mover os olhos doía. Deus, tudo doía.
Afastando-se da nojeira, seus dedos encontraram algo duro sob a água. Suave e curvo. Ela puxou uma lata oxidada de Coca. A letra "C" havia sido entalhada no alumínio. Era igual a lata da qual havia bebido na noite passada… mas velha. E na água. No meio do nada.
Um senso crescente de ruína tomou conta do seu âmago. Ela percebeu mais coisas estranhas. O metal em seu relógio se deteriorara e uma teia de ferrugem cobria os berloques frágeis de sua pulseira. Ela se atrapalhou na margem, procurando mais evidência de… de quê, ela não tinha certeza… mas tudo o que encontrou era mais lama, mais água estranha com cheiro de enxofre, e mais pânico de comprimir a garganta.
Onde ela estava?
Por que estava aqui?
Enfiou as mãos nos olhos.
Se acalme, Clarke. Pense.
Voltando no tempo, ela tentou conjurar a última coisa que lembrava – o longo sono, acordando na água – mas seu cérebro estava tão gosmento quanto o lago que a cercava. Pequenas ondas mornas quebravam nas suas pernas de uma maneira tranquilizadora, como se para dizer "Está tudo bem. Não se estresse. Você está onde deveria estar."
Pense.
Ela precisava ir mais longe do que isso. De volta para antes do sono. Para ontem. Para o fim do mundo.
Ela estava em um apartamento de um quarto, vendo as notícias apocalípticas em uma televisãozinha, bebendo refrigerante com duas amigas – Ada e Laurel – se perguntando se seria o último. Sabendo que seria o último. A memória solidificou em sua mente. Laurel não parava de mudar de canal, procurando notícias mais atualizadas. Ada andava de um lado para o outro ao lado do sofá. E Clarke havia arranhado suas iniciais na lata de Coca. Mas isso foi ontem… não foi?
Ar frio roçou sua face e cortou sua pele. Isso não era o apartamento dela. E ela não estava na Vegas assolada pela guerra. Mas estava viva.
Clarke olhou para a margem. O lago se estendia por quilômetros. Ela vislumbrou uma cabana escondida nos pinheiros cobertos de neve a certa distância. Fumaça rodopiava da chaminé até desaparecer em uma dança preguiçosa. Parecia algo saído de um conto de fadas.
Mas isso era real. Na água, seu reflexo ainda pertencia a mesma vigarista sardenta e ruiva. Bochechas coradas. Olhos azuis febris brilhantes. Lábios roxos e dentes batendo apesar da água morna. Era ela, Clarke O’Leary, ladra de mixarias. Algumas vezes psíquica, outras falsa. Sempre uma sonhadora.
Pense, Clarke. Respire. Lembre-se.
O mundo enlouquecera. Ela acabara de voltar do cassino. Com suas habilidades precognitivas, normalmente podia sentir quando as cartas a beneficiariam. Normalmente. Mas na noite em questão, fora para casa mais cedo. O cassino estava fechado.
Por que o cassino estava fechado?
Por causa da guerra. Elas pensaram que estavam a salvo, que as bombas não haviam atingido Vegas, mas era a chuva radioativa que as deveria ter preocupado. A guerra veio por todos, e para aqueles que escaparam, o céu queimado tomou cabo deles. Padrões climáticos mudaram. Plantações não cresciam. Usinas nucleares entraram em colapso. Ao redor do mundo, o movimento de placas tectônicas derrubou prédios conforme a terra se movimentava. Elas tentaram continuar com a vida normal por mais tempo possível, esperando que estariam a salvo. Até não estarem.
Uma onda se afastou de suas pernas como um cobertor, expondo jeans surrados e tênis que um dia foram brancos, agora estavam marrons e cheios de furos. Ela deu tapinhas no relógio com o dedo. Morto. Sua berloqueira enferrujada tilintou, e os brincos combinando balançaram nas orelhas. O pai a presenteara com as joias. Um presente para cada evento importante em sua vida. Um pingente de vela para seu aniversário de dezesseis anos. Um berloque de sorvete para a formatura. O relógio quando a mãe os abandonou. Seu pai havia morrido pouco antes do seu aniversário de dezoito anos. Um infarto.
Mas isso fora anos atrás. Ela balançou a cabeça para deslocar as memórias e remexeu nas roupas que se desintegravam. Se essa era a roupa que usou ontem, então por que estava caindo aos pedaços? Por que sua pulseira estava tão enferrujada? E o vômito estranho…
Alguma coisa pousou em seus cílios e ela piscou. Outra coisa entrou em seu olho. Ela empurrou o cabelo molhado da bochecha e prendeu atrás da orelha. O farfalhar inconfundível de neve flutuou para cobrir seu rosto. Espanto a aqueceu, e depois a memória surgiu.
Ela saíra do apartamento porque estivera nevando. Em Vegas. Essa era a última coisa da qual se lembrava.

CASEY L BOND

Casey Bond mora em uma fazenda na West Virginia com o marido e as duas lindas filhas. Ela escreve “fênix” – personagens imperfeitos e com moral duvidosa que se erguem das cinzas de suas circunstâncias. A criação de mundos é um dos seus hobbies favoritos, junto com bijuterias de metal, nadar e aproveitar o melhor da natureza. Ela acha que tempestades são melhores do que café e assistir uma chuva de meteoros é o mais próximo de magia que podemos ver. Acredita que cada livro incrível precisa de um mundo no qual você quer se envolver, um personagem que quer que ganhe, e um amor pelo o qual lutaria.Casey é a autora premiada de Quando a Sorte Sangra, Gravebriar, e House of Eclipses.

QUANDO A SORTE SANGRACapítulo 1As pontas dos meus dedos, até unhas, estavam azul gelo apesar do ar quente e seco de outono. Elas doíam e latejavam conforme bombeava água em uma chaleira e formigavam enquanto a carregava de volta para dentro e pendurava sobre o fogo. Nada além da morte os traria de volta a vida a esta altura.
Passei os dedos congelados pela cintura e esperei pacientemente que ela chegasse. Estava quase aqui, ainda bem. Tinha negócios importantes para resolver hoje, mas as duas leituras que o Destino exigia eram prioridade.
Peguei as folhas de chá e as empilhei em um montinho na bancada, depois coloquei três xícaras atrás. Para as bruxas que fazia a leitura, deviam parecer idênticas, mas cada uma tinha uma marca própria e segredos que só ela poderia revelar.
Hoje era meu aniversário, e meu poder e eu agora éramos considerados maduros. Destino, eu sabia muito bem, era real. Ele não era um conceito obscuro da sorte, ou um sonho do que o futuro poderia trazer. E com certeza não era a sorte ou um poço dos desejos. Era senciente e muito vivo. Eu era a filha do Destino, e ele vivia dentro de mim.
Quando era criança, era gentil com suas exigências, mas hoje não tinha nenhuma gentileza restante nele. Os sussurros fáceis se tornaram gritos, e ultimamente, os cutucões de orientação se tornaram empurrões bruscos.
Destino me empurrava agora, evidenciado pelos meus congelados e necróticos dedos e a rigidez se apoderando das articulações, mas aprendera a revidar. Quase sempre escutava quando prometia fazer o que ele queria a tempo, mas hoje estava impaciente. Queria que um homem balançasse da forca, e para que eu o colocasse ali.
Eu queria enforcá-lo, para ser honesta. Queria que a pontada de agulha da dor desaparecesse, ser capaz de alongar os ossos, e que a sensação retornasse por completo para as partes que pareciam adormecidas. A única coisa me segurando era o fato que nenhum crime havia sido cometido, ainda. Sempre confirmava para garantir. Destino me avisava que uma ofensa aconteceria, e que se esperasse, o que seja que acontecesse chatearia todas as bruxas do The Gallows, mas me recusava a enforcar alguém quando ainda existia a menor chance que o delinquente escolhesse um caminho diferente. E eu acreditava piamente que até um limite ser ultrapassado, existia esperança.
Destino… discordava.
Hoje não era um dia que podia enforcar alguém a não ser que quisesse ser exilada. Era o Equinócio. Macular um dia tão reverente e sagrado, até para o Destino, era imprudente. Ele precisaria segurar sua raiva por um curto período, e teria que aprender melhor a tolerar a dor.
Soltei ar quente no meio dos meus punhos enrijecidos.
A garota pisou na soleira, as tábuas gastas rangendo sob o peso. Empurrou a porta aberta, se demorando ligeiramente para dentro ao analisar minha pequena e abarrotada cabana. Da cabeça aos pés, ela usava vermelho. O vestido, capa, e até os sapatos representavam a cor ardente da sua casa. No braço estava uma pequena cesta, de onde o cheiro de alho fresco flutuava na minha direção: o pagamento.
— Coloque a cesta no banco ao seu lado.
Ela pulou e olhou para a certa como se tivesse esquecido que estava pendurada no braço. Ela a colocou delicadamente na antiga relíquia de madeira, tomando cuidado que o desnível não fizesse o fundo virar e espalhar os bulbos cheirosos. Depois, ela se empertigou e alisou a saia, ansiosa. Remexeu a capa até estar satisfeita com a posição, os lados jogados por cima dos ombros.
— Chá, cera, ou ossos? — perguntei, esperando a resposta que já sabia que daria.
A garota mordiscou o lábio inferior ao considerar as três opções. O punhado de sardas sobre o nariz e bochechas a fazia parecer mais jovem do que era, mas a indecisão foi o que mostrou sua verdadeira imaturidade. Toda bruxa no The Gallows sabia o que eu preferia ler. A garota não era excessão.
O tom avermelhado do seu cabelo era da mesma nuance do monte de folhas de chá soltas sobre o balcão. Do outro lado do recinto, a chaleira soltava fumaça. Fios soltos e lentos que se curvavam e enlaçavam um ao outro. Poderia me perder na sua dança sedosa se olhasse tempo o suficiente, então voltei o olhar para ela para recuperar o foco.
A água não estava aquecendo para ela; estava aquecendo para o garoto no bosque. Ele estava parado atrás da minha cabana, segurando-se à casca grossa de uma árvore, tentando desesperadamente se convencer de bater na minha porta e pedir para que lesse seu destino, e se repreendendo por considerar ir embora antes de consegui-lo.
Uma hora, reuniria iniciativa o bastante para se aproximar e me pedir o favor que cobiçava, mas não antes de testemunhar a saída apressada da garota. Ele surgiria da floresta enquanto ela saía pela porta dos fundos, provavelmente para evitar arruinar sua reputação caso alguém o veja aqui. E escolheria uma leitura de folhas de chá pois temia a cor da vela que pudesse escolhê-lo, e que os ossos pudessem dizer algo que não estava preparado para ouvir, guiá-lo para onde ainda tinha medo de pisar.
Ele era um garoto que lutava com incerteza intensa. Um garoto que preferia grudar em uma árvore do que soltar. Eu o afastei da minha mente e observei conforme a garota entrava aos poucos no recinto, como se estivesse entrando em um lago de água gelada. Não havia muito para se ver no pequeno espaço aberto. Um sofá à esquerda, e uma mesa quadrada simples e cadeiras no canto mais distante. A cozinha estava à sua direita. Dentro estavam apenas alguns armários, e as bancadas manchadas e meio deformadas estavam cheias de pedras preciosas e ervas em vasos. Os olhos dela se demoraram na lareira com o fogo tremeluzente, e as ondas mais densas de vapor se derramando da chaleira.
Ela se virou para longe da lareira e do chá.
Os pálidos olhos âmbar se prenderam no tecido esticado sobre o tampo da mesa. Viu os ossos da sorte empilhados em uma tigela de prata, desejando desesperadamente que não fosse tão fraca. Não podia ouvir suas palavras na minha cabeça, mas segui o jeito que as feições delicadas revelaram uma onda de emoções que cresceu e quebrou sobre seu semblante.
— O Destino não favorece os fracos — avisei a garota conforme ela mudava o peso de um lado para o outro, os dedos inquietos. Seus olhos encontraram os meus. Nas profundezas deles nadavam culpa e confusão. Elaborei para ela. — Não deveria temer os ossos. Podem revelar coisas que a cera e as folhas de chá não podem.
Ela era uma garota que não aceitaria conselhos mesmo quando fosse de seu interesse, uma garota que dava ao medo domínio sobre suas decisões. Os olhos foram para uma prateleira próxima e as velas incolores que ali estavam. Ela se recusava a desviar o olhar dos pavios pálidos, com medo que os ossos a atraíssem outra vez. Sempre atraíam.
— Escolho cera, por favor — falou com a voz trêmula. A ratinha estava apavorada, não pelo chá ou cera, ou mesmo pelos ossos… mas por mim.
Dei um sorriso para tranquilizá-la, ciente que poderia fazer o inverso, e fui até a prateleiras, recolhendo o monte de velas delgadas e as levando para a mesa.
— Poderia remover o tecido?
Ela hesitou, mas segurou gentilmente os cantos do quadrado de seda escura com as pontas dos dedos e o puxou da superfície de madeira. Acomodei as velas, as firmando para que nenhuma saísse rolando, depois peguei o tecido dela. Durante a troca, o tremor em seus dedos passou pelo tecido até os meus.
Seus olhos foram para a bandeja de ossos da sorte de novo, depois voltaram para mim. Não os ofereci a ela outra vez. Fizera sua escolha, e meu tempo era tão valioso quando minha leitura. Não o perderia com sua indecisão ou medo.
Dobrei o tecido de feitiços escuro, coloquei no largo bolso do vestido, e removi a tigela de ossos da visão dela. Tensão exalou dos músculos da garota assim que desapareceram. Peguei uma cesta de candelabros aleatórios das prateleiras, entregando a ela.
— Coloque uma vela em cada, e os posicione em um círculo.
Ela mudou o peso do pé esquerdo para o direito, depois de volta.
— Começo por qual? Todas parecem iguais.
— Vai descobrir que a sensação não é a mesma. Segure cada uma, e depois as coloque onde sente que pertence. O padrão é seu para formar.
Os lábios dela se apertaram.
— Pense em uma pergunta para a qual gostaria de saber a resposta. Foque nela e a sensação da vela em sua mão, depois a posicione. Se permitir, a cera vai mostrar a resposta no padrão que formar. Avise-me quando estiver satisfeita com o círculo. As cores se revelarão, e vou decifrá-las para você.
Ela engoliu em seco e depois pegou uma vela, fechando o punho ao redor e fechando os olhos por um breve segundo antes de abri-los. Colocou a primeira vela no castiçal localizado na posição de doze horas. Devagar, formou um círculo, guiando cada vela pela circunferência em posições variadas até cada castiçal estar cheio. Ela não podia ver além da cera opaca até a cor interna, mas eu conhecia cada uma como a palma da minha mão. Sua organização me surpreendeu. Continha as combinações chocantes de amarelo e preto, violeta e verde, laranja e branco. Quando completou o círculo, olhou para cima com expectativa.
— Satisfeita? — perguntei.
Ela olhou para o círculo que fez e assentiu.
— A sensação é correta.
— Não esperava isso de você — revelei, passando as mãos sobre o círculo sagrado. As velas se ergueram dos castiçais e começaram a rodopiar no ar. As cores verdadeiras foram absorvidas na cera branca da ponta de cada pavio até a base. Esperava ler o padrão, mas outra vez, ela me surpreendeu. Ou melhor, seu futuro. Uma vela em particular a escolheu, o que era um poder raro.
Os olhos dela lutavam para acompanhar enquanto as velas perdiam a velocidade, e ela observava desconfiada conforme uma única vela deixou sua posição na roda e pairou para o centro. A cera da cor de beringela, ou um profundo e demorado hematoma – uma sorte infeliz para qualquer bruxa colher, mas uma bruxa esperta acataria o aviso e poderia mudar seu destino…
— O que significa?
— É um aviso.
Ela engoliu em seco.
— Previsão é um dom do Destino. Se acatar seu aviso, pode tomar decisões para evitar uma catástrofe.
Os lábios dela mal se moveram, mas os vi formar um inaudível "catástrofe".
— O que vai acontecer comigo? — ela perguntou.
Sussurrei um encanto. Fogo queimou o pavio, ficando alto e oscilante. Fumaça escura pairou na direção do teto. Ela observou a chama, o elemento e fonte do seu poder. O reflexo do fogo brilhou em seus olhos.
— Apague-a — falei baixo.
Ela fechou os olhos e a chama morreu na hora.
— Fique longe da fronteira.
— Por quanto tempo? — foi rápida em perguntar. Rápida demais.
Arqueei uma sobrancelha. Ela não deveria estar indo lá desacompanhada, de qualquer maneira.
— Por que está saindo sem permissão?
A garota engoliu.
Segurando a vela, li o sopro remanescente que exalara no pavio.
— Um garoto no Doze? Você está se esgueirando pela fronteira há meses.
Os olhos dela se arregalaram.
— Por favor, não conte para a Sacerdotisa. Serei banida da Casa.
— O coração do jovem homem é tão preto quanto suas palavras são doces. Está atraindo-a para uma rede de mentiras. Nunca deveria vê-lo outra vez.
O lábio dela começou a tremer.
Ah, não. Já podia sentir o impacto de emoções em rebuliço por ela. Não tinha nada que podia fazer para impedir um sentimento tão forte quanto o amor, mas se pudesse convencê-la, fazê-la ver que era um amor que nunca fora reciprocado…
— Você o ama?
— Sim — coaxou.
— Ele não ama você. — Uma lágrima gorda escorreu por sua bochecha. Olhou para os sapatos. Envergonhada. — Bem no fundo, você já sabe disso.
Uma segunda lágrima escapou do seu olho. Esta espirrou na ponta da bota de couro.
— O encontro casual pode ser relevado, mas você sabe que estar com qualquer um fora do Gallows significa que nunca poderá retornar. Sem a Casa, seu poder irá diminuir. Deseja perder sua chama?
Ela balançou a cabeça. Precisava saber que qualquer casinho que estivesse tendo com o garoto não poderia durar, mas o fruto proibido era uma tentação que alguns não poderiam se forçar a ignorar.
Suavizei a voz, esperando que visse a lógica.
— E a sua vida? Deseja que seja extinta?
A garota começou a chorar por completo. Sabia que não poderia e não iria mentir para ela, mas os sentimentos que guardava pelo jovem homem malicioso eram tão fortes quanto a vontade dele de parti-la.
— Posso ver a vontade dele — revelei —, e seu único propósito é machucá-la. — A verdade com frequência doía.
Seus olhos encontraram com os meus.
— Ele não faria isso.
— Ele vai matá-la. Se o ver outra vez, ele a matará.
Ela balançou a cabeça em desafio e limpou o nariz.
— Ele nunca me machucaria.
— É a verdade. Agora, você deve tomar uma decisão importante. A mais urgente da sua vida. Vai acatar meu aviso, ou aceitará seu destino?
Ela me empurrou para passar e abriu a porta dos fundos com tudo. Um batido alto chacoalhou as paredes. Quase a repreendi pela grosseria, mas em sua defesa, a leitura foi bem chocante. A maior parte do tempo, tinha uma faísca de esperança que a pessoa para quem li pudesse mudar seu destino, mas não acho que isso se concretizaria no caso dela.
Se fosse até ele esta noite como planejado, este momento – e eu – seriamos uma das últimas coisas das quais se lembraria antes que a morte a reivindicasse.
***
Não havia terminado de guardar as velas antes do garoto do lado de fora entrar na cabana. A capa e a túnica refletiam a cor ardente da Casa do Fogo, mas as roupas não eram dele. Não tinha chama. Que estranho… Nunca o vira antes, e pensei que tivesse visto todas as bruxas em um momento ou outro. Ainda assim, havia algo familiar nele, apesar de não poder identificar. Seus olhos estavam baixos ao perscrutarem minha cabana.
— Gostaria de algo afiado para tirar a casca da árvore de baixo das suas unhas? — perguntei, voltando a cera e a cesta de castiçais para seu lugar correto.
Ele se eriçou.
— Quero que leia meu destino.
— Qual pagamento oferece?
Ele colocou a mão no bolso esquerdo da capa e tirou um cristal.
— Ametista.
Tirei a pedra roxa pálida da sua mão. Era tão grande quanto minha palma. Nunca recusaria um cristal dessa beleza.
— Chá, cera, ou ossos?
— Chá — respondeu rápido. — Pode se apressar? Preciso voltar logo.
— Antes que alguém descubra que veio até mim?
— Exatamente. — Os olhos dele foram de um item para outro na minha cozinha esparsa conforme me movia pelo espaço.
Acenei para o balcão.
— Escolha uma xícara e um pires, depois coloque três colheres cheias de folhas de chá na xícara. Vou verter a água.
Ele se moveu para a bancada e rapidamente colocou três montes de folhas em uma xícara. Seus olhos lampejaram para mim. As pupilas eram estranhas. Não redondas, mas verticais… como as de uma cobra.
Cruzei os braços e apoiei o quadril na bancada.
— Por que você veio aqui?
— Desculpa? — perguntou, a testa franzida.
— Está claro que não quer estar aqui.
— Preciso do meu destino. Rápido. Nada mais. E não lhe devo uma explicação além disso, Filha do Destino.
Com a chaleira na mão, parei sobre a xícara.
— Seria inteligente ser mais respeitoso.
Ele inclinou a cabeça e murmurou uma desculpa.
— É só que tenho sido afligido recentemente. Sonhos estranhos. Vozes…
Deixei a água fluir para a xícara branca simples que ele escolhera. Todas as minhas xícaras eram brancas para o olhar comum, assim como as velas. Mas cada uma tinha uma asa distinta, e cada uma escolhia o recipiente da sorte com a mesma distinção. Esta xícara refletia mudança. Sua vida está prestes a ser dramaticamente alterada.
Ele observou a superfície conforme as folhas rodopiavam, afundavam, e subiam. Seus olhos lampejaram para mim, mas se desviaram rápido.
— E agora?
— Pense na pergunta para a qual precisa de respostas ao assoprar o vapor.
— Todo ele? — ele perguntou.
— Todo.
— Já fui chamado de saco de vento, mas nem mesmo eu poderia assoprar todo esse vapor. Está fumegando.
Eu lhe dei um olhar feio até que segurasse a borda da bancada, enrugasse os lábios e assoprasse. O vapor desapareceu, e com ele, a água também. O padrão de folhas que restou no fundo e nas laterais começou a se transformar em imagens.
— Como…? — perguntou.
— Observe. Não desvie a atenção.
Ele seguiu minhas instruções, observando até as folhas se acomodarem. Formaram uma linha reta que iam do leste para oeste, dele para mim.
— Como eu o conheço? — perguntei.
Abriu a boca.
— Eu não deveria ter vindo.

— O que está escondendo? Sei que a túnica que usa foi roubada. Não posso pressentir uma afinidade, ainda assim sinto algo poderoso em você. Algo sombrio. — Algo que poderia ser lindo ou mortal, não o disse.
— O que vê nas folhas? — exigiu firme.
— Seu mundo inteiro está prestes a ser virado de cabeça para baixo, e de alguma forma, isso está relacionado a mim. Vai precisar de mim para alguma coisa. E este não é apenas o seu destino. Algo… terrível vai acontecer.
Ele murmurou algo ininteligível.
— O quê? — perguntei, erguendo uma sobrancelha.
— Só… esqueça.
Isso estava ficando entediante.
— As escolhas que está prestes a fazer são as mais importantes da sua vida. Escolha bem.
O garoto saiu tempestuoso pela porta dos fundos assim como a garota fizera, a capa vermelha roubada oscilando atrás dele.

JORDAN RIVET

Jordan Rivet é uma autora americana de aventuras ousadas com fantasia e ficção científica pós-apocalíptica e distópica. Ela escreveu vinte e dois livros em várias séries e não planeja parar tão cedo.
Os livros da Jordan incluem as fantasias YA Steel and Fire, Empire of Talents, The Fire Queen’s Apprentice, e Art Mages of Lure. A ficção científica inclui Wake Me After the Apocalypse, The Lost Clone series, e The Seabound Chronicles. O livro Curse Painter foi traduzido para o Português, Russo e Italiano.
Nascida no Arizona, Jordan mora em Hong Kong com o marido.
Ela chega na DL Books com Pintora de Maldições, e você pode encontrar o primeiro capítulo no botão abaixo.

A PINTORA DE MALDIÇÕES***Essa história começa com uma maldição. Era uma maldiçãozinha, não era forte o suficiente para machucar um inimigo, ou destruir um negócio. Não era o tipo de maldição que as autoridades se preocupariam em julgar depois que cumprissem a cota do mês. Não era nem o tipo de maldição que deixa o criador acordado a noite inteira suando frio depois de trazer um pouco mais de mal para o mundo. Ou pelo menos, não deveria ser esse tipo de maldição.
Infelizmente, na empreitada de acrescentar pequenos toques de mal no mundo, mesmo com as melhores intenções, às vezes as coisas poderiam tomar um rumo muito inesperado.
***
Capítulo Um
Casca de árvore áspera arranhava as pernas de Briar conforme subia na árvore de bordo ao lado da melhor casa na Sparrow Village. A bolsa de tintas balançava contra o quadril, os vidros dentro tilintando baixo. Tentou não olhar para baixo. O chão já estava muito longe.
As sombras da tarde avançavam do bosque atrás da propriedade, engolindo o estábulo e espreitando na direção da casa pintada de branco. Briar segurou a respiração ao subir além das caras janelas de vidro. Os habitantes da casa, incluindo os servos, ainda deveriam estar na quermesse de verão. Com sorte, o lugar estava vazio – e ficaria vazio até Briar terminar o serviço.
Ela se arrastou por um galho pequeno que brotava na direção do segundo andar da casa. O galho rangeu, e a copa frondosa se moveu ameaçadoramente. Tentando ignorar os barulhos, Briar enroscou as pernas em volta da ponta do galho, abriu um vidro de tinta marrom-ocre, e selecionou um pincel de haste longa do monte na sua bolsa. Depois ela se firmou contra a cobertura de telhas de cerâmica e começou o trabalho árduo de pintar uma maldição.
A cada pincelada, a imagem de uma bela casa com um telhado inclinado ganhava forma. A tinta a óleo brilhava ao se espalhar do pincel de pelo de cavalo, marrom ocre se destacando contra as tábuas brancas. O cheiro familiar de óleo de linhaça acalmou o nervosismo de Briar, e ela relaxou ao cumprir sua tarefa. Praticara o desenho complexo em uma tela para evitar erros. Cada pincelada necessitava de precisão e uma mão firme, apesar que isso ficava mais difícil quanto mais tempo se equilibrava precariamente entre o céu e a terra.
Não planejara subir em árvores para o serviço. Vira uma escada quando fez o reconhecimento do lugar há alguns dias e formulou a maldição para um pedaço sombreado sob o beiral. Se pintasse muito perto do chão, os jardineiros veriam e limpariam a tinta antes que o feitiço surtisse efeito. Mais importante, saberiam quem era responsável. Briar já dera as autoridades locais muitos motivos para desconfiarem dela. Infelizmente, a escada estava ausente quando chegara para realizar o serviço, e a árvore de bordo com uma inclinação agressiva na direção da casa foi sua única alternativa.
Conforme Briar pintava, nós cutucavam suas coxas pela saia de lã verde, e raminhos se enfiavam no cabelo denso. Ela segurou as telhas de cerâmica, tentando ignorar a queda vertiginosa. Pintar maldições precisava de concentração. Esta não era nem perto tão perigosa quanto algumas que conhecia, mas não poderia permitir-se errar.
Ela terminou o contorno da casa, e usou vidro de cobalto para acrescentar janelas, a localização aproximadamente a mesma das janelas da verdadeira casa. Amaldiçoar objetos sempre era mais simples do que amaldiçoar pessoas. Para afetar um humano, Briar precisava pintar um item de roupa que usavam com frequência, ou tocar uma tela amaldiçoada ou pedra na pele por tempo o suficiente para o feitiço pegar. Ser pega era fácil demais, mas muitas maldições podiam ser pintadas em alvos inanimados – presumindo que pudesse alcançá-los sem quebrar o pescoço.
Esta maldição em particular não machucaria ninguém, e era a magia mais interessante que Briar fazia há meses, a posição perigosa a tornando ainda mais estimulante. O sangue esquentou em suas veias, e os dedos formigaram com magia, com a excitação borbulhante da criação. Seria uma boa maldição. Podia sentir.
O ferreiro local duvidara das suas habilidades quando a contratou para o serviço. Os clientes quase nunca acreditavam que estava à altura da sua reputação quando viam suas mãos manchadas de tinta e roupas simples.
— Ouvi coisas bem surpreendentes sobre você e sua… profissão, mas parece muito jovem — o ferreiro dissera durante o encontro clandestino na forja na semana anterior. — Pode mesmo ajudar?
— Provavelmente. — Briar empurrou o cabelo escuro e cacheado dos olhos, pronta para fugir a qualquer sinal que fosse uma emboscada. Não seria a primeira. — Ouvi dizer que quer amaldiçoar o Mestre Winton.
— Aye, o comerciante. Passei cinco semanas em uma bendita armadura a pedido dele, e recusou-se a pagar um preço justo. Alegou que não era trabalhada o bastante. Tenho crianças para alimentar.
— Foi até o xerife?
— Aquele preguiceiro? — O ferreiro cuspiu na terra ao lado da bigorna. — Ele e o Winston são amigos próximos.
Briar pegou um pincel de pelo de cavalo da bolsa e rodopiou entre os dedos, as cerdas fazendo cócegas na mão úmida.
— Onde está a armadura agora?
— Disposta na mansão do Lord Barden. — O ferreiro olhou o pincel com nervosismo. — Winton alegou que não valia o preço e depois deu para o próprio senhorio como um bendito presente. Agora estou sem a moeda e sem ferro.
— E você quer vingança?
O ferreiro olhou para o caminho iluminado pelo sol de verão do lado de fora da forja e abaixou a voz.
— Veja, não é só por mim. Tenho filhas. Quero mostrar a elas que não vamos aceitar abuso de babacas ricos que pensam que podem se safar disso.
Briar notou as calças gastas do ferreiro, os remendos nas botas. Uma guirlanda de flores silvestres estava pendurada na porta da forja, as pétalas murchando no calor. Ela imaginou as garotinhas recolhendo os botões e os amarrando desajeitadas para animar o local de trabalho do pai. As filhas do ferreiro teriam menos para comer naquele inverno por causa da ganância do Winton. Briar gostava de trabalhos que traziam um pouco de justiça para o povo simples – ou ao menos vingança.
Colocou o pincel atrás da orelha e esticou a mão.
— Estou dentro. Conte-me sobre a casa do Mestre Winton.
O ferreiro descrevera a propriedade situada em um terreno espaçoso nos limites da floresta Mere – dois andares, telhas de cerâmica caras, janelas de vidros transparentes. E nenhuma escada, ao que parece.
Pendurar-se na árvore de bordo estava se tornando menos confortável a cada minuto que passava. Briar trocou o vidro de cobalto para verde malaquita e começou a acrescentar vinhas na imagem. Ela os enrolaria em volta da pintura da casa como trepadeiras densas e acrescentaria flores coloridas em pontos chave ao longo do comprimento. A maldição faria o piche selando a casa contra umidade se desintegrar devagar. Quando chegarem os meses do inverno, o teto vazaria, e o vento uivaria pelas rachaduras. Faria o Mestre Winton pagar, apesar que ele nunca saberia que seu infortúnio era o resultado dos seus negócios traiçoeiros.
Briar estava orgulhosa da sutileza da maldição, mas as videiras intrincadas estavam demorando muito. Deveria ter preparado um desenho mais simples. Os braços doíam por se apoiar contra o telhado, e a distância entre a árvore e a parede parecia crescer com cada pincelada. Começou a suar, o pincel escorregando na mão.
Ao parar para abrir um pote de amarelo ocre, ela detectou movimento pelo canto de olho e congelou. Alguém estava ali.
Não. Agora não. Ela segurou o fôlego, lutando contra uma poderosa vontade de fugir. Não poderia ser pega, mas não também não poderia deixar a maldição como estava. Sem a última pincelada, a pequena imagem sob o beiral não seria nada além de uma pintura bonita.
Ela olhou pelas largas folhas de bordo, mal ousando piscar. O pedaço de grama entre a casa e a floresta estava deserto exceto pelas sombras vespertinas que espreitavam. Ainda assim, ela sentiu que alguém a observava.
Um cavalo bufou dentro do estábulo, e pegas tagarelavam nas árvores, mas não detectou nenhum movimento, nenhum outro som.
Dizendo a si que estava se assustando sem motivo, Briar retomou o trabalho. Os vidros tilintaram na bolsa enquanto trocava o amarelo ocre por vermelhão, acrescentando flores nas videiras. Pintar maldições precisava de uma rigorosa ordem de pinceladas, e não podia apressar o processo, mas o pincel continuava a escorregar enquanto equilibrava duas cores e sua posição desconfortável. Ela colocou o pincel entre os dentes e apertou as pernas com mais força em volta do galho para que pudesse segurar o frasco de vermelhão com as duas mãos. A tampa estava presa. Os nós afundaram mais em suas coxas ao bambear no galhinho da árvore.
Movimento outra vez, um lampejo de azul. Desta vez, as sombras ganharam forma e substância. Ela não estava imaginando afinal. Alguém estava parado ao lado do estábulo do Winton. Mal podia discerni-lo entre as folhas – um homem alto com um casaco índigo olhando direto para ela.
O coração de Briar acelerou, e seus membros tremeram, fazendo mais difícil do que nunca manter o assento. Queria sair da árvore e fugir, mas não sabia o que o estranho faria se tentasse. Ela o encarou, tão imóvel quanto um pardal encarando uma cobra-arbórea.
Segundos passaram. O homem alto não saiu da proteção do estábulo. O punhado de cabelo loiro estava visível mesmo das sombras, e ele segurava algo longo e fino na mão.
Poderia ser o jardineiro do Mestre Winton? O comerciante era um sujeito desagradável, de acordo com o ferreiro, mas este homem ficaria mesmo parado e permitiria que ele fosse amaldiçoado? Briar poderia estar planejando queimar a casa com a família dentro, no que dizia respeito ao jardineiro.
As pernas tremeram o bastante para chacoalhar os galhos. Atrairia a atenção de um transeunte se continuasse assim. Ela não poderia fazer nada sobre o estranho. Precisava terminar o trabalho.
O jarro de vermelhão enfim se abriu. Briar apressou as últimas pinceladas da maldição e errou duas flores. Ela as consertou com alguns rápidos toques da parte dura do pincel, suor escorrendo da sua testa até a terra abaixo. Mais uma pétala, e a maldição estaria completa.
Ela colocou o pincel no pote e o levou, pingando vermelho, até a parede. O galho rangeu sob ela conforme se esticava para o canto mais distante da pintura para a pincelada final.
De repente, o estranho saiu das sombras. Ele segurava um arco longo, uma flecha já a postos. A ação a sobressaltou, e a mão escorregou, deixando um grande risco vermelho pela pintura de maldição. Briar arfou e se atrapalhou para pegar mais tinta para neutralizar o risco. Antes que pudesse consertar, escutou um craque alto, e o galho cedeu sob ela. Folhas e ramos açoitaram o rosto de Briar conforme caía da árvore e atingia o chão com força. Jarros de tinta quebraram sob ela.
Olhou para os galhos trêmulos, sem fôlego e chocada. Ela caiu. Ela caiu mesmo. Folhas pairavam sobre ela, flutuando na brisa do final de verão.
Não fique deitada aí! Você será pega, com certeza.
Ela respirou fundo e se forçou a sentar-se. Tinta e cacos de vidro cobriam sua blusa. Conforme os afastou, dor lancinou seu pulso. O braço esquerdo havia sofrido a maior parte do impacto. Tentou rodar o pulso, e a agonia lancetou por ela. Apertou os dentes para evitar vomitar, pontos pretos dançando ante seus olhos.
Se o braço estivesse quebrado, não poderia trabalhar durante meses. Ela não poderia arcar com tal ferimento. Perderia a casa, tudo o que construira com os resquícios da sua antiga vida. Deveria ter abandonado o trabalho no primeiro sinal de problema.
O som de um rangido a lembrou da maldição precisa maculada com um largo risco de vermelhão. A casa deu um gemido profundo e sinistro. Ela vasculhou o conhecimento de pinturas de maldição, tentando descobrir o que era provável que o risco fizesse – e em quanto tempo. Cada pincelada tinha um significado, e aquela…
O rangido soou outra vez, alto e insistente. Briar compreendeu o que estava prestes a acontecer e se levantou num pulo. Ela não tinha muito tempo. Pegou o máximo de potes quebrados que podia, enfiando o vidro oleoso dentro da bolsa com a mão boa, depois disparou para longe da casa. Correr balançou o braço machucado, e lágrimas encheram seus olhos.
O estranho no casaco índigo recuou para as sombras conforme ela passou correndo. Parecia jovem, com uma testa larga, boca definida, e sobrancelhas escuras e curvadas. O arco longo permaneceu sem uso, e ele não tentou impedi-la.
Briar chegou na proteção das árvores assim que o som agudo de um rugido assustou os pegas dos ninhos. Ela olhou para trás.
A casa oscilou, os dois andares de madeira branca e elegantes telhas de cerâmica balançando como roupas no varal sob uma brisa intensa. Pregos de ferro começaram a sair das tábuas um por um, desaparecendo na grama alta ao redor da casa.
Não.
Mais pregos se soltaram, caíram, se espalharam.
Por favor, não.
Mas era tarde demais. Mas o último prego saiu, e a casa soltou um gemido como o de um animal moribundo. As paredes cederam, as janelas de vidro estourando, telhas de cerâmica quebrando e escorregando. Depois a estrutura inteira desmoronou com um baque estrondoso.
Poeira subiu para o céu, e lascas se espalharam pela grama. Briar se agachou atrás de um carvalho retorcido, terror a consumindo. Isso não pode estar acontecendo. Pegas rodopiavam acima, grasnando e ralhando de uma distância segura.
A poeira abaixou devagar, revelando o dano do fiasco da maldição. Em algum lugar além do estábulo, o estranho soltou um assobio baixo. Não sobrou nada da casa além de uma pilha de escombros ao lado de uma triunfante árvore de bordo.
Um gemido escapou dos lábios de Briar. Ela trabalhara com tanto afinco para criar uma nova vida ali, um novo começo vendendo maldições simples e não letais. Sim, o trabalho era ilegal, mas tentava não machucar ninguém. Ela até mesmo ousara acreditar que poderia compensar as coisas que fizera antes. Isso destruiria seus esforços, atraindo atenção que não poderia se dar ao luxo de ter, talvez seria o suficiente para chamar a atenção das pessoas que deixara para trás.
Não. Ela recusava contemplar a possibilidade. Fugiria outra vez. Começaria de novo quantas vezes fossem necessárias para evitar que a encontrassem.
Tentando não esfregar as roupas cobertas de tinta em nenhum lugar, puxou a bolsa contra o peito e fugiu para dentro do bosque.
***Archer saiu das sombras do estábulo e admirou as ruínas estilhaçadas.
Ele nunca tinha visto uma pintora de maldições trabalhar tão meticulosamente – ainda mais a cinco metros do chão – nem produzir resultados tão dramáticos. Nem uma única tábua branca ou painel de vidro permaneceu intacto. A bela casa de Willem Winton parecia muito melhor, destruída em pedacinhos. Archer se perguntou o que o velho charlatão fizera para fazer aquela garotinha querer amaldiçoar o local ao oblívio.
— Quem se importa por quê ela fez isso? — Colocou o arco nas costas em um ângulo maroto. — Foi um trabalho brilhante.
Archer ouvira dizer que uma pintora de maldições morava por estas bandas, mas não esperava encontrá-la aqui. Queria apenas fazer parte de um furto casual enquanto estava na região. Ao invés disso, tropeçou em um prêmio melhor do que candelabros de ouro e as joias da Senhora Winton. Aquela garota poderia ser a resposta para todos os seus problemas.
Ele se virou na direção do bosque e assobiou uma nota alta e aguda. Um cachorro grande pulou pelas árvores, as sombras salpicando o pelo cinza curto. Archer se ajoelhou ao lado do cachorro e coçou as dobras no seu pescoço.
— O que acha, Sheriff? Pode segui-la para mim?
O cachorro ganiu e esfregou a cabeça enrugada no joelho de Archer, espalhando baba nas calças, depois trotou para a árvore de bordo para descobrir o cheiro da garota no meio dos potes de tinta quebrados.
Archer pegou um grande caco de vidro coberto por tinta verde e o colocou no bolso. A pintora de maldições trabalhara com furtividade impressionante, pelo menos até o final. Só a viu pendurada na árvore quando seus olhos luminosos encontraram a luz, e ela olhou para ele como uma grande coruja de cabelos arrepiados. Ela tinha tanto poder.
O cachorro olhou para cima, as orelhas pontudas como pontas de flecha, esperando o comando do mestre.
— Pronto, Sheriff? Vamos buscá-la.

VENDA LIMITADA DE LIVROS FÍSICOSTODOS OS LIVROS ACOMPANHAM AUTÓGRAFOS

Formulário de inscrição para Parceria 2024Bem-vindos a seleção de parceria da editora DL Books.Somos uma editora focada em livros de fantasia e ficção científica, YA e adulto.Esta parceria é para o ano de 2024, o resultado sairá em fevereiro.Temos um calendário cheio de lançamentos para esse ano, com novas autoras, continuação de séries iniciadas e o primeiro título de ficção científica.O que esperamos:Posts/reels
Divulgação no lançamento
Resenha na amazon.
Locais de atuação (não é obrigado ser ativo em todos):Instagram
TikTok
Blog
Twitter
Facebook
Amazon (resenhas)
Somos uma editora pequena e no momento trabalhamos apenas com ebooks. Todos os parceiros receberão uma cópia digital através de uma plataforma de envio (onde poderão baixar o livro e enviar para o Kindle), assim como a imagem em alta resolução das capas.Sorteios de brindes poderão ser realizados entre os parceiros mais ativos.Quer conhecer um pouco dos livros já anunciados e lançados? No nosso site ( www.dlbooks.carrd.co ) você pode encontrar os primeiros capítulos de alguns lançamentos, assim como conhecer as autoras.Por favor, inscreva-se apenas se estiver comprometido com a leitura e divulgação de uma editora nova e pequena, o calendário de 2024 será cheio, alguns livros são sequência de séries e os já publicados precisam ser lidos antes.Se for leitor, não possuir perfil literário nas redes sociais, porém ser ativo com as resenhas na amazon, pode se inscrever que desta vez estamos ampliando a parceria.Este formulário está coletando e-mails apenas para o controle interno da editora e dos candidatos, nenhum dado será fornecido para terceiros ou usado para outros fins que não sejam a seleção de parceiros.